2010-05-28
OS ÚLTIMOS...
acontecimentos em Fernandópolis convidam à reflexão. O vaivém das ordens, as marchas e contramarchas, as alterações nas regras do jogo (que logo à frente, face às reclamações, voltam ao estado original), o “muito-cacique-pra-pouco-índio” têm tornado confusos os fatos que envolvem a administração municipal 2009-2012.
ANTES MESMO
da posse do atual prefeito, uma conhecida harpia brandia sobre nossas cabeças a ameaça de uma “Operação Valquíria” que iria dizimar quem se opusesse às decisões inatacáveis e irrecorríveis daqueles que, dali a alguns dias (precisamente em 01/01/2009) iriam se instalar no poder. Em artigo virulento e furibundo, essa harpia ameaçava a nós, fernandopolenses, com o fogo do inferno.
A TAL AVE...
de rapina tinha lá suas razões: quem, em sã consciência, iria se opor aos novos mandatários, se estes chegavam ao poder por via do voto e estribados no apoio das entidades que gravitam em torno da Associação de Amigos do Município? Ocorre que tem sido justamente essa segurança, essa sensação de tudo poder, que tem levado algumas autoridades a cometer equívocos dos quais certamente irão se arrepender no futuro.
NÃO É SEGREDO...
que a atual administração encontra na elite econômica da cidade o seu espelho. Isso não é crime, é evidente. Que os poderosos façam o jogo dos poderosos é compreensível. O que não se pode tolerar é que os princípios da isonomia e da independência dos poderes constituídos sejam desrespeitados. Ficou claro desde o início que o prefeito tinha amplo domínio sobre a Câmara – e as estatísticas refletem isso. Logo no primeiro ano do mandato, o prefeito contratou – por R$ 17,5 milhões – uma Organização Social Civil de Interesse Público para administrar a Saúde em Fernandópolis. A Câmara aprovou a “toque de caixa”.
NESTA SEMANA...
o prefeito foi bombardeado pela ação do Ministério Público Federal, que lhe deu 60 dias para dar fim à parceria com essa OSCIP – pelo menos, da forma como está posta - e assumir a saúde pública. Caso contrário, será processado por crime de improbidade administrativa. O setor da Saúde, aliás, tem sido um dos calcanhares de Aquiles do prefeito. Talvez por isso, sejam tão fortes os boatos sobre uma possível troca de comando na pasta.
A EXPOSIÇÃO...
que inegavelmente tem tido bom público e ótimos shows (com algumas exceções que podem ser esquecidas), é também uma dor de cabeça terrível para o Executivo, que, através de um polêmico Decreto, promulgado em 1º de abril do ano passado, “privatizou” a festa maior da cidade. Com isso, seu comandante se viu no direito de tomar decisões monocráticas e estranhas, como se viu no caso dos estacionamentos e no preço dos ingressos.
HOJE...
muitos fernandopolenses têm uma certeza: a Exposição, que consta ser a segunda do país, tornou-se cara e elitista. Para variar, tenta-se pagar a conta com a bilheteria sustentada pelo povão. E, é bom que não se perca de vista, o Decreto de 1º de abril ainda será sopesado pelas autoridades competentes, que certamente notarão a manifesta irregularidade contida no artigo 6º, que impõe à prefeitura, “em caráter suplementar”, a faculdade/obrigação de fazer obras de melhoria e reparos no recinto da festa. Na prática, todos sabem o que isso significa...
A QUEDA...
de braço que se vislumbra no seio da coligação que venceu as eleições de 2008 poderá levar o prefeito a uma encruzilhada. Se socar a mesa e assumir o controle de tudo, fará inimigos perto, perigosamente perto de si. Se, por outro lado, deixar as coisas correrem, ele poderá perder o controle da situação. E aí, a famosa punhalada de Brutus será somente uma questão de tempo. Há ainda uma terceira hipótese: a de que o prefeito aproveite os recentíssimos ventos de popa que sopram da Zona de Processamento de Exportações e produza mudanças radicais no seu governo, transformando-o numa gestão democrática, popular e descentralizada. Mas aí já é esperar demais.
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