Meio Ambiente

Agosto tem temperatura recorde no ano e traz alertas para a primavera do El Niño



Agosto tem temperatura recorde no ano e traz alertas para a primavera do El Niño

O mês de agosto reservou para os fernandopolenses, e de resto os 2 milhões de habitantes da região noroeste, uma verdadeira montanha russa no termômetro, dada a velocidade da mudança em curto espaço de tempo.

Depois de uma semana com o “maçarico” ligado levando o calor para temperatura recorde no ano de 36,5°, mas com sensação térmica de mais de 40° graus, para em 36 horas despencar para 13,2° (veja gráfico).

O detalhe é que ainda estamos no inverno. Nem no alto verão, entre janeiro e março, Fernandópolis registrou temperatura tão elevada. Em janeiro, a maior temperatura chegou 34,9°; fevereiro 34,4° e março 34,7°. Temperaturas elevadas em agosto não são incomuns. Nos últimos anos, os termômetros atingiram o patamar acima de 36° em 2021, 2020 e 2017.

Os últimos dias de agosto reservaram temperaturas amenas e chuva para amenizar a estiagem. A estação do Ciiagro em Fernandópolis registrou chuva acumulada de 25 mm, que é só inferior a chuva registrada em 2019 (58mm) e 2017 (33mm).

ALERTAS

A primavera que vem aí afetada pelo El Niño não será a estação das flores, mas do calor e fogo, apontou reportagem do jornal O Globo no último final de semana. A chegada de setembro marca o início do período de maior atividade do fenômeno climático. Ele traz temperaturas elevadas em todo o Brasil, tempestades e o aumento do risco de incêndios principalmente no Cerrado, Pantanal e em parte da Amazônia. Daí para frente, é o que a Organização Meteorológica Mundial (OMM) chama de “mergulho em terreno desconhecido”: um clima de extremos nasce do temido fenômeno combinado a mudanças climáticas.

O “maçarico” da última semana foi só um prenúncio do que vem pela frente. A Agência de Atmosfera e Oceanos dos Estados Unidos estima em 95% as chances desse El Niño, que se acentua agora no início de setembro, se prolongar ao menos até fevereiro de 2024.

Há 493 municípios brasileiros em nível de alerta alto e 546 em nível de alerta para tempo seco e calor segundo o Cemaden - Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais.

A boa notícia, é que a nossa região não está no mapa vermelho. De acordo com o Cemaden, Fernandópolis e a maior parte das cidades da região noroeste estão no chamado “nível de observação”, o quarto nível na escala de alertas emitidos. Algumas cidades, contudo, estão no chamado “estado atenção”, casos de Ouroeste, Mira Estrela e Indiaporã, cidades às margens do reservatório de Água Vermelha.

Os meses críticos costumam ser dezembro, janeiro e fevereiro. Mas esse período pode flutuar para antes ou depois dependendo da intensidade e da interação com outros eventos climáticos.

A partir da primavera, a expectativa é de ondas de calor em todas as regiões do país, diz o meteorologista Gilvan Sampaio, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. “Podemos ter ondas de calor recorde e uma primavera e verão com tempestades mais intensas”, diz.

O jornal Diário da Região no último domingo, 27, publicou reportagem com base em estudo do Inpe que a região noroeste está um grau mais quente do que há 60 anos. E que esse aquecimento já provoca desaparecimento de espécies de animais, secas mais severas e baixa umidade do ar, situação que deve ser acelerada nas próximas décadas, tornando o Noroeste Paulista uma das mais atingidas por incêndios no mundo, segundo estudo publicado por pesquisadores da Nasa.

Divulgado no periódico especializado Earth’s Future, a pesquisa da Nasa feita com base em imagens de satélite projeta ‘tempo de fogo’ na região, a partir do aumento de mais dois graus na temperatura regional até 2045.

RECOMPOR O VERDE

Recompor o verde que existia na região, é apontando por pesquisadores como a salvação para o Noroeste Paulista. Fernandópolis tem Plano Municipal de recomposição da Mata Atlântica. Em agosto do ano passado, o secretário do meio ambiente de Fernandópolis Luis Sérgio Vanzela já citava a importância da restauração ecológica.

“Temos que recompor 20% da mata nativa como está estabelecido no Plano Municipal de Mata Atlântica. Hoje temos 9,5% de cobertura nativa e precisamos implementar parceria com o setor rural para atingir essa meta de 20%”, diz.

Outro desafio é a arborização urbana. Fernandópolis apresenta um déficit de cerca de 35 mil árvores na área urbana. A cobertura representa hoje apenas 6% e a meta é chegar a 20%. Isso representa plantar 12 árvores por dia nos próximos 12 anos