Saúde

Casos positivos do tipo mais grave da dengue põe Fernandópolis em alerta



Casos positivos do tipo mais grave da dengue põe Fernandópolis em alerta

O risco de uma epidemia de dengue se alastrar pela região põe a Saúde em estado de alerta, após Votuporanga confirmar quatro casos positivos da doença pelo subtipo 3 que estava desaparecido havia 15 anos.

Chamado de Denv-3, o sorotipo tipo 3 é associado com manifestações graves da doença. No primeiro caso detectado em Votuporanga, uma mulher de 34 anos, no dia 1º de novembro, chamou a atenção a intensidade dos sintomas clássicos da doença, como febre, vômito, dor e manchas vermelhas pelo corpo, além do sangramento pela urina e pelo nariz.

A secretaria estadual de Saúde diz que monitora os casos e que vai debater novas medidas de combate no dia 27, quando realiza reunião em São Paulo para discussão do novo cenário epidemiológico no estado e uso de novas tecnologias de combate a arboviroses, que são doenças causadas por vírus transmitidos por mosquitos.

A notícia dos casos de dengue tipo 3 em Votuporanga, a 30 km de Fernandópolis, acendeu a luz de alerta. Aline Furlan, da Vigilância Epidemiológica, falou que a chance desse sorotipo chegar em nosso município existe com risco de epidemia. “Como faz muito tempo que esse vírus não circula na cidade, a maioria da população está suscetível. Como os casos em Votuporanga estão localizados em um bairro, é preciso intensificar as ações para evitar que o vírus se alastre para a cidade inteira e chegue aos municípios vizinhos devido o intercâmbio de pessoas entre as cidades”, disse.

A enfermeira reforçou que é preciso intensificar as ações de prevenção e de combate ao vetor. “E mais uma vez precisamos da população, para fazer aquela vistoria na residência para eliminar os possíveis criadouros que podem estar no bebedouro do animal, numa vasilha esquecida no quintal ou na calha entupida. Com o retorno das chuvas e o calor, temos que ficar atento”, enfatizou.

Ela diz que nesta época de chuvas, geralmente a maior parte dos criadouros está na parte exterior da residência. “Um descuido e os criadouros aparecem. Já dentro das casas, a atenção tem que estar voltada para aquele reservatório do bebedouro d´água, climatizadores, bebedouro de animais e os ralos”, lembra.

“O que é mais eficiente na luta contra o mosquito é a varredura domiciliar, eliminar os ovos, evitar que eclodam e virem pernilongos. Depois que o mosquito está voando perde-se o controle”, alerta.

Segundo ainda Aline Furlan, em Fernandópolis foi identificado o sorotipo 1 em circulação, “mas essa investigação de soro tipo continua no município e se alguém apresentar sintoma de dengue deve procurar atendimento e não deixar de fazer os exames solicitados, exatamente para identificar o sorotipo que está circulando por aqui”.

De acordo com a Fiocruz, no Brasil circulam os vírus tipos 1, 2, 3 e 4 da dengue. O risco de epidemia com o tipo 3 decorre da baixa imunidade da população já que esse tipo não circulava na região desde 2008.

Fernandópolis já registrou três anos seguidos de epidemia de dengue com 9 mil casos

Fernandópolis já registrou três anos seguidos de epidemia de dengue com 9 mil casos

Após três anos seguidos de epidemia de dengue, com cerca de 9 mil casos positivos conhecidos, Fernandópolis registrou alivio em 2022, com número alto de casos, mas controlado

O recorde ocorreu em 2019, quando o número de casos positivos confirmados por exame chegou a 4,6 mil. A explosão de casos em 2019 foi explicada pela chegada da dengue tipo 2, provocando internações e até mortes. “Se olharmos para os anos anteriores antes desse vírus, os casos eram mais brandos. Não tinha tanta internação”, relatou Aline Furlan da Vigilância Epidemiológica em entrevista à Rádio Difusora FM e jornal CIDADÃO.

Em 2020, houve uma queda de casos, mas ainda assim a cidade ultrapassou a marca de 1.000 casos positivos. A queda na época foi explicada pelo fato da população estar mais em casa por conta do início da pandemia da Covid-19, o que levou as pessoas a cuidarem mais dos quintais, eliminando focos criadouros.

Em 2021, novamente a dengue registrou alta com 2.394 casos positivos em meio ao pior momento da pandemia. Em 2022, o total de contaminados foi de 907 casos. Neste ano, segundo a Saúde, foram 1,2 mil notificações e 170 casos positivos. A Vigilância aguarda resultados de 48 exames.

A equipe de controle de endemia foi reforçada este ano com a formatura de novos agentes que receberam também kits composto por mochila, colete de identificação e chapéu para atuação no campo.

Entre os dias 27 de novembro a 02 de dezembro será realizada a Semana Estadual de Mobilização Social de combate ao Aedes Aegypti.

O setor de Combate à Dengue da Secretaria Municipal da Saúde de Fernandópolis prepara uma programação especial com encontros e palestras abordando temas relacionados a prevenção, cuidados e dicas de controle da dengue e demais doenças causadas pelo mosquito.

A primeira ação acontece na segunda-feira, 27, no CEADS, na terça-feira, 28, no CAEFA, na quarta-feira, 29, no Projeto Girassol, na quinta-feira, 30, a palestra será ministrada com o grupo de idosos do CEADS e finalizando a ação o último encontro, no dia 1º de dezembro, no projeto “Os Sonhadores”. As ações integram a Semana de Mobilização de Combate ao Aedes Aegypti.

As atividades de rotina no combate à dengue são feitas diariamente com o trabalho dos agentes de endemias casa a casa e bloqueio de suspeitos de dengue, Zika e Chikungunya.

O ciclo do mosquito, da colocação do ovo até a fase adulta, dura entre 10 e 12 dias, em média. Em condições favoráveis (água limpa, parada e calor) o mosquito se desenvolve em até nove dias. Quando está adulto, o tempo de vida dele pode variar de 45 a 60 dias.

Todo e qualquer objeto que possa acumular água pode se tornar um criadouro do mosquito, seja um balde esquecido no quintal, em calhas das casas ou uma tampinha de garrafa que fica ao ar livre.