Saúde

Esporotricose, a micose dos gatos que contamina humanos, põe Saúde em alerta



Esporotricose, a micose dos gatos que contamina humanos, põe Saúde em alerta

O fernandopolense já vem ouvindo falar da esporotricose, micose que provoca lesões na pele, causada pelo fungo Sporothrix brasiliensis, desde a metade do ano, quando o médico infectologista do Cadip – Centro de Atendimento a Doenças Infectocontagiosas e Parasitárias – Maurício Favaleça fez o primeiro alerta durante entrevista à Rádio Difusora FM.

A esporotricose é classificada como uma zoonose. A transmissão da esporotricose ocorre entre gatos e deles para cães e seres humanos através de mordidas, arranhões e do contato com as lesões dos infectados. Os felinos carregam o fungo nas garras, na saliva e no sangue.

“Aqui no Cadip a gente atende uma gama enorme de doenças infeciosas. O que temos conversado bastante com os profissionais e vou aproveitar para alertar também a população, é com a esporotricose. Temos atendido um número maior de pessoas, principalmente por transmissão através da arranhadura ou mordedura de gato que é o principal transmissor. Estamos tendo um aumento nos atendimentos dessa doença em Fernandópolis”, relatou o médico.

De acordo com informações da Secom – Secretaria de Comunicação – este ano, entre janeiro e outubro, já foram confirmados 39 casos de esporotricose humana.

De acordo com Favaleça, os casos de Fernandópolis “são de transmissão pelos gatos doentes com lesões de pele, feridas e no pegar o animal, alimentar, a pessoa sofre um arranhão ou mordedura e a partir daquela lesão na pele, começa a formar uma ferida, uma úlcera, que pode ir aumentando e causando alguns nódulos acima. A gente precisa identificar a lesão para tratar, porque senão a ferida vai aumentando e a pessoa tem um dano”.

CONVÊNIO

No mês passado, preocupada com o avanço da doença entre os animais, o CCZ – Centro de Controle de Zoonoses – firmou parceria com o Hospital Veterinário da Universidade Brasil para atendimento de felinos com esporotricose. Em nota, o CCZ explicou que os animais suspeitos de esporotricose passarão por uma triagem e as consultas e exames para diagnóstico da doença serão realizados gratuitamente na Universidade pelos alunos, supervisionados por professores especialistas na doença. “Em caso de exames positivos, a Prefeitura oferece a medicação gratuitamente para o tratamento do animal”, disse a médica veterinária do CCZ Daiane Fázzio. Não se tem ainda número de animais atendidos pelo convênio.

No âmbito municipal, todos os profissionais de saúde, incluindo os agentes comunitários que fazem as visitas domiciliares já passaram por capacitação para orientar a população e identificar casos da doença.

O aumento das ocorrências no país também é mencionado na nota técnica do Ministério da Saúde, de 2023, que se refere à doença como “um grave problema de saúde pública”. A Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo afirmou, em nota, que trabalha para tornar a doença de notificação compulsória em nível estadual para possibilitar ações de contenção da doença.

ESPOROTRICOSE

No início da manifestação clínica, as lesões de esporotricose podem ser confundidas com qualquer outro ferimento, comuns em gatos e geralmente provocados por brigas. O Sporothrix brasiliensis se espalha com maior facilidade e pode causar quadros infecciosos mais severos. As feridas podem ser profundas, com bastante crosta, que sangra e não cicatriza.

Em humanos, a doença se manifesta principalmente na forma de lesões (feridas) na pele. Essas lesões começam com um pequeno caroço vermelho, que pode virar uma ferida. Geralmente aparecem nos braços, nas pernas ou no rosto, às vezes formando uma fileira de carocinhos ou feridas. O tratamento é feito no Cadip em Fernandópolis após encaminhamento pela Unidade de Saúde.