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Novembro Azul: a prevenção e a luta contra o preconceito



Novembro Azul: a prevenção e a luta contra o preconceito
Na foto, o médico urologista Armando José Gabriel

Depois do Outubro Rosa, de prevenção do câncer de mama para as mulheres, o novembro azul é dedicado aos homens na prevenção contra o câncer de próstata. E a campanha busca atingir principalmente o preconceito com a informação. O médico urologista, professor e coordenador do curso de Medicina da Universidade Brasil, Armando José Gabriel, fez um alerta em entrevista ao CIDADÃO: 

“Esperar sintomas para procurar o médico é perder tempo no tratamento. O câncer de próstata é traiçoeiro”.

Ele lembrou que a iniciativa de campanha como o Novembro Azul tem contribuído para quebrar o preconceito de homens que ainda relutam em fazer a prevenção. Nesta entrevista, o médico tratou ainda da missão que acaba de assumir: a coordenação do curso de Medicina da Universidade Brasil. Armando Gabriel destacou o trabalho da nova direção da universidade, empenhada em reestruturar o curso de Medicina após os escândalos que a mídia divulgou.

“E se eu puder ajudar, acho que a gente volta a colocar o curso de medicina de Fernandópolis onde ele sempre esteve”, afirmou. Leia a entrevista:

Estamos vivendo o “Novembro Azul” de prevenção ao câncer de próstata. Qual a importância de campanhas como essa?

Esse tipo de campanha, Outubro Rosa, Novembro Azul, são fundamentais para a conscientização da população com relação a doenças que tem tratamento na fase precoce. O ato de você ir ao médico não quer dizer que não vá ter a doença, mas nós estamos procurando descobrir os casos que podem ser curados, que são os casos na fase inicial. A próstata, por exemplo, para o homem é o número um dos tumores, tirando os cânceres de pele e, é fundamental que haja essa publicidade, que se dê destaque para esse assunto, para mudar a cultura do homem de vir ao médico, para mudar o cenário do passado quando, infelizmente, a gente só descobria o problema quando o tumor estava avançado. É uma campanha inteligente, importante e necessária e só quem realmente tiver muito preconceito, muita falta de informação, não vai atrás de fazer o preventivo.

"O câncer de próstata é traiçoeiro, é silencioso, não vai despertar sintoma algum na fase inicial"

Ainda existe preconceito em relação do exame preventivo?

É notório que o sexo masculino tem uma resistência muito maior em comparação com o sexo feminino no próprio cuidado. Culturalmente o homem geralmente vem ao médico quando o copo transbordou. Mas, esse tipo de consciência tem mudado. Se me perguntar se ainda aparece no consultório muita resistência, eu digo que sim, aparece. E com muito jogo de cintura, você explica da necessidade, a pessoa acaba entendendo. Isso já foi muito mais trabalhoso. Hoje é mais fácil e o novembro azul ajudou demais nesse tipo de esclarecimento.

Muitos homens preferem fazer o exame de sangue, o PSA, em vez do toque retal. Resolve?

As pessoas tendem a subestimar a importância do toque retal, porque é o exame que tem a maior resistência do homem que fica preocupado em ter sua intimidade invadida, mas é a mesma coisa que fazer qualquer outro tipo de exame. Não tem substituição quando o médico realmente vai direto ao assunto. É onde você sente a doença. Falar na substituição do toque retal em 2020 é um absurdo. Não tem como você finalizar uma prevenção, dar uma informação para o paciente para que ele saia tranquilo só com o exame de sangue. O exame de sangue é um aliado, ele agrega ao exame do toque retal que o médico vai fazer, facilitando a compreensão. O PSA está no mercado desde a década de 90 e a gente continua aprendendo cada vez mais com essa importante ferramenta. Ele foi um divisor de águas, Então, incorporando o PSA, a experiência do profissional médico no exame do paciente, a gente consegue um índice de detecção precoce muito alto. Não tem como, prevenção de próstata é toque retal e PSA.

A partir de quando o homem deve começar a se preocupar em fazer o exame preventivo?

Existem vários protocolos, mas o que a gente respeita mais é aquele da Sociedade Brasileira de Urologia que diz que o homem a partir dos 50 anos entra na campanha preventiva do câncer de próstata. Vir antes dos 50 anos de idade é para pessoas que tenham histórico de câncer de próstata na família. Se tiver algum registro, a gente puxa o paciente para fazer o preventivo a partir dos 40.

"Prevenção de próstata é toque retal e PSA. Só o PSA você está enxergando com um olho só"

Quais sintomas devem colocar o homem em alerta?

Na verdade não tem que ficar esperando sintoma. Tem que ter a consciência que deu a faixa etária e tem que começar a fazer o preventivo. O câncer de próstata é traiçoeiro, é silencioso, não vai despertar sintoma algum na fase inicial. Então, não tem que ficar esperando sentir nada. Bateu a idade, venha ao médico. Agora, se ficar esperando, se for câncer de próstata, você perdeu tempo no tratamento. A gente insiste nisso e a pergunta é pertinente neste sentido, não tem que esperar sintoma para procurar médico. O ponto de partido é a sua faixa etária e não esperar ficar sintomático. A base da nossa informação não é nem experiência pessoal, nem o que eu acho, ou o que penso, mas é o que ciência recomenda. Quer uma informação correta sobre o estado de sua próstata é toque e PSA. Só o PSA você está enxergando com um olho só.

O senhor recentemente assumiu a coordenação do curso de medicina da Universidade Brasil. Como recebeu esta missão?

É uma fase importante que o curso de medicina passa, de reestruturação, depois de todos os escândalos que a mídia divulgou. A nova administração da universidade está há seis meses no intuito de colocar um rumo diferente para o curso de medicina, com relação as tratativas com o MEC, com Polícia Federal. Dentro dessa reestruturação do curso houve a mudança no comando da coordenação e a gente tem que parabenizar o trabalho de 15 anos do Dr. Ademir Bariani à frente do curso e esse é um processo natural, de novos caminhos, novos rumos. O que nos dá muita segurança é que temos uma equipe muito eficiente que sempre esteve pronta para resolver todos os conflitos. E se eu puder ajudar, acho que a gente volta a colocar o curso de medicina de Fernandópolis onde ele sempre esteve.

Como está o funcionamento do curso em meio a pandemia?

Esse é um ano atípico, com uma série de transformações na vida de todos, e o ensino superior não foi diferente. Faculdades e universidades sofreram muito em relação a isso. Os alunos, os professores e toda a estrutura do curso precisaram se adaptar. Essa não é a forma de ensino ideal, mas é a forma de ensino real para esse momento. A maioria dos nossos alunos estão tendo aulas por meio remoto, exceção dos dois últimos anos que é a etapa prática de internato, que não tem como absorver isso por via remota. Não é o ideal, é o real e é algo que a gente vai construindo conforme os fatos vão se apresentando, mas Graças a Deus, dentro de uma sequência coerente a gente procura trabalhar em cima dos nossos projetos pedagógicos e a gente procura oferecer para nossos alunos aquilo que de melhor dentro da realidade que a gente se encontra.

"É uma fase importante que o curso de Medicina passa, de reestruturação, depois de todos os escândalos"

Com qual expectativa o senhor trabalha para o ano que vem?

A gente trabalha com a estruturação para o ano que vem que já está aí. E por enquanto, não temos nenhum fato novo que nos permita dizer que o vírus foi embora. Então, as aglomerações e a gente têm sala aula com 60, 70, 80 alunos, como é que neste momento podemos ter um cenário de tranquilidade para conseguir trazer esses alunos para aulas de forma presencial. Nós, nesse momento, estamos estruturando 2021, provavelmente começando ainda o ano de forma remota, tentando fazer o sistema híbrido para os módulos de disciplinas práticas, com os alunos podendo voltar apenas para essas disciplinas em pequenos grupos, mas é uma engenharia acadêmica extremamente trabalhosa. Temos uma equipe grande trabalhando para poder até o início do ano, janeiro e fevereiro, ter toda a programação realizada.