Política

“Reforma administrativa não pode ser enfiada goela abaixo”, diz presidente de sindicato



“Reforma administrativa não pode ser enfiada goela abaixo”, diz presidente de sindicato

Superadas as discussões sobre a correção salarial dos servidores e a elevação do valor do “vale alimentação” aprovado pela Câmara na última terça-feira, 22, o presidente do Sindicato dos Servidores Municipais Claudinei Senha mira agora na reforma administrativa. A prefeitura já anunciou que trabalha no projeto para a reestruturação administrativa com vistas a resolver a questão dos servidores comissionados e o fim da Frente de Trabalho.
Senha diz que já protocolou documento para participar da discussão e elaboração do projeto. “Sempre que fomos chamados contribuímos com boas ideias para o Executivo e o nosso propósito é esse”, disse na entrevista que concedeu esta semana no programa Rotativa no Ar da Rádio Difusora FM.
“A gente repudia essa coisa de já vir com a receita pronta. Não vamos aceitar essa história de socar goela abaixo. Já recusamos várias propostas que vieram com jabotis no meio. Nós também vamos avaliar essas propostas e se tiver esses jabotis, o sindicato vai estar lá para lutar. A reforma administrativa é uma questão complexa”, avisou.
Ao cobrar a participação do sindicato, Senha lembrou boas ideias que foram colocadas em prática e deram certo. “Nós apresentamos pedido para que o servidor pudesse pagar com férias e licença prêmio seus impostos. Isso deu muito certo, hoje não tem inadimplência entre os dois mil servidores”, citou. 
“Nós sempre apontamos ideias que não eram boas só para o servidor, mas também para a prefeitura. Nós não temos interesse de destruir a prefeitura. É de onde tiramos o nosso ganha pão. A nossa posição sempre foi negociar e ajudar a prefeitura com ideias a solucionar problemas crônicos. No caso da reforma administrativa, podemos ajudar, mas se vier com a receita pronta aí teremos problema”, acrescentou.
SALÁRIO BAIXO
O presidente do Sindicato tem uma visão sobre a dificuldade que a prefeitura tem para compor seu quadro de pessoal: o salário é muito baixo na comparação com o setor privado. Citou seu próprio exemplo: “sou um eletricista, meu salário base é R$ 1,9 mil. Ganho mais porque tem os adicionais, tenho 20 anos de prefeitura, nível universitário, que vão sendo incorporados. Se você abrir para contatar um eletricista hoje por R$ 1,9 mil, ele não vai, porque tem ofertas melhores fora da prefeitura. Trabalhar na prefeitura ainda é um atrativo por conta dos adicionais que você vai incorporando, a estabilidade, ou seja, a segurança de emprego, diante das ameaças que estão aí. Mas, dependendo da qualificação do profissional, ele se recusa a trabalhar na prefeitura pelo salário que ela paga. Nós tivemos aí cerca de 28 pedidos de demissão em um mês. Mecânico pediu demissão porque ele tem proposta melhor fora. O setor privado está pagando melhor”.
Disse ainda que o serviço público melhorou muito depois que o Sindicato abraçou a luta para acabar com as contratações qualificadas como “serviços gerais” ou “serviços diversos”. “Isso foi um grande problema para a administração e um grande problema para o servidor. No serviço público tem que ter cargo e suas funções para evitar o chamado desvio de função. Quem era contratado para serviços gerais era uma espécie de curinga, vale tudo. Isso tira do servidor seus direitos. Ele pode estar numa função com um bom rendimento, executando bem o trabalho, aí chega alguém que não gosta dele, manda para outro lugar. Duas pessoas contratadas para serviços gerais, uma pode estar no ar condicionado e outra trabalhando na limpeza. Se ele está contratado com função determinada, não terá esse problema. Em 2016, conseguimos vetar isso, ou seja, que não faça mais concurso com essa descrição de serviços gerais. Faça para cozinheira, para faxineira, tratorista, etc..., com cada um no seu cargo. Isso estabelece uma forma mais fácil de governar”, relatou.