Observatório

Ser mãe de prefeito...



Ser mãe de prefeito...

Maria José Pessuto Cândido, 70 anos, se autoproclamou “Primeira Mãe” durante uma entrevista na Rádio Difusora, logo após a eleição do filho, André Pessuto, para o cargo de prefeito da cidade. Esse é o quarto Dia da Mães que vai passar no “cargo” que ela define com a frase acima. Confessa que já se estressou muito por conta de comentários maldosos que vê nas redes sociais. “As críticas e sugestões são construtivas e bem-vindas. Porém, algumas ferem a dignidade”, disse nesta entrevista ao CIDADÃO. 
Mas, revela senso de humor: “Sempre que alguém diz: ‘essa é a mãe do prefeito’. Eu brinco e digo: a primeira mãe. Porque se der certo é a mãe do prefeito e se der errado também é”, ri.
Casada com Adeval Cândido, prestes a comemorar bodas de ouro, Maria José é mãe de Henriana (advogada), André e Thiago e avó de Amanda, Guilherme e Gabriel. 
Ela diz que a pandemia do coronavírus cria uma nova versão de mãe: a Mãe Virtual. “Agradeço todos os dias por essa grande evolução tecnológica ter chegado em nossas mãos antes do coronavírus. Falo, todos os dias, com meus três filhos por chamada de vídeo, pois assim podemos ver o semblante de cada um e sentir de longe o que estão sentindo. É uma forma divina de matar um pouco as saudades, de sentir e dar o abraço, de ouvir, de falar e de aconselhar”. Veja a entrevista:


Como anda o coração da mãe de um prefeito que está tendo que enfrentar uma pandemia como essa do coronavírus?
A pandemia por si só já nos deixa com o coração acelerado e como mãe de um prefeito, que está na linha de frente, tenho que desacelerar, pois é a hora de estar ao lado dele, apoiando-o e acompanhando o passo a passo para fortalecê-lo. Então, o coração tem que estar em dia, também fortalecido. Mas, a preocupação é grande. 

André foi eleito prefeito muito jovem para o desafio natural de administrar uma cidade com todos os problemas de ordem política e social. Ver o filho agora diante de uma situação como essa que o mundo não via há pelo menos 100 anos, desde a gripe espanhola, qual o sentimento que sobressai?
Realmente o André foi eleito aos 40 anos, como um dos prefeitos mais jovens que Fernandópolis já teve. Recebeu o grande desafio de administrar uma cidade com sérios problemas financeiros, num tempo de grave crise econômica que o Brasil já vinha atravessando e agora o mundo todo atravessa, além dos problemas sociais, institucionais e de ordem política. E de repente, ter que administrar mais este gigante invisível que chegou com tudo, assustando, ceifando vidas, não poupando nada e ninguém. Deitamos de uma forma e acordamos de outra, totalmente avessa. Todos os planos tiveram que ser guardados à espera de um novo tempo. Falo sempre prá ele que este é um tempo probatório, grande teste de resiliência. Se passar por ele, os outros desafios serão leves, pois além da crise de saúde, estamos diante de uma crise política. E o grande sentimento que deve aflorar é CORAGEM. 

Logo depois da eleição em 2016, a senhora em entrevista brincou que seria a “Primeira Mãe”. Como tem exercido esse papel? 
Sim, sempre que alguém diz: “Essa é a mãe do André” eu brinco e digo: a primeira mãe... ferrada, por que se der certo é o prefeito e se não der também é...(risos). Confesso que já estressei muito por conta de comentários maldosos que me defronto nas redes sociais. As críticas e sugestões são sempre construtivas e bem vindas, porém, algumas ferem a dignidade.  E você quer ver mãe brava?  Fale mal da honra dos filhos dela! Mas, acabo esquecendo, perdoando porque eu conheço o filho que tenho e sei diferenciar o que é verdade do que é falso.  O tempo é um santo remédio e ele por si só traz à tona toda a verdade. O tempo traz a Justiça!

“Este é um tempo probatório, grande teste de resiliência. Se passar por ele, os outros desafios serão leves

Diz a lenda que mãe é mãe, não importa a idade do filho ou cargo que ocupa. Nesta perspectiva, a mãe também cobra o filho prefeito?
Não digo cobrar, mas sim reivindicar. Faço sempre uma listinha das necessidades que observo, andando pela cidade, das conversas que ouço, do que vejo nas redes sociais ou simplesmente de pessoas que batem na minha porta para expor algum problema e quando o André passa em casa para tomar um cafezinho (agora virtual) trocamos ideias, sugestões para que eu possa dar uma resposta para quem de direito. 

Explique como é ser mãe de um prefeito?
Ser mãe de prefeito é estar antenada em tudo que se passa na cidade de bom ou ruim. É rir junto e dar glórias quando tudo dá certo. E chorar e até perder o sono, quando você sente que tem problema difícil para resolver e ao mesmo tempo engolir o choro para estar do lado com fé e esperança de que no fim tudo vai dar certo. Tenho confiança nele, que apesar de jovem, tem saídas muito maduras para os problemas, que eu, apesar dos meus 70 anos não teria. Para isso rezo muito e peço oração aos amigos, luzes e muita sabedoria para que ele sempre tome suas decisões com honestidade, seriedade e justiça, que foram os principais valores que passamos a ele em sua formação. Também gosto muito da área social e procuro oferecer minha ajuda nas ações. Também na Cultura gosto de oferecer meus préstimos. Essa é uma das formas que encontro para apoiar os projetos do meu filho. 

Em artigo, a senhora fala de diferentes mães e fala da mãe virtual. Esse será um Dia das Mães virtual por conta da pandemia?
Sim, a mãe virtual é a mais nova versão da pandemia. Agradeço todos os dias por essa grande evolução tecnológica ter chegado em nossas mãos antes do coronavírus. Falo, todos os dias, com meus três filhos por chamada de vídeo, pois assim podemos ver o semblante de cada um e sentir de longe o que estão sentindo. É uma forma divina de matar um pouco as saudades, de sentir e dar o abraço, de ouvir, de falar e de aconselhar. 

“E você quer ver mãe brava?  Fale mal da honra dos filhos dela! Mas, acabo esquecendo, perdoando...”

A senhora é uma pessoa muito religiosa. Qual é o principal ensinamento do coronavírus?
Há várias teses sobre o coronavírus: conspiração chinesa, castigo de Deus, fim do mundo. Não creio em nada disso. Acredito sim, que Deus é um Pai bondoso, misericordioso e não cruel. Ele nos dá sinais para que tenhamos a chance de nos tornar melhores. A pandemia foi mais um sinal, como vários que já aconteceram na história da humanidade. A própria bíblia nos traz relatos de pestes, dilúvio, da Torre de Babel. É Deus dizendo: “Opa! Chegou a hora de parar, refletir, continuar o que é bom e mudar o que está errado. E nós, como filhos obedientes, temos que parar, pensar, mudar e agradecer. Nesses dias parados, quantos pores do sol maravilhosos! Sim, o ar está mais limpo, não tem poluição nas cidades, não tem aviões no espaço. A mãe natureza agradece! Quantas perdas de vidas, tristezas, doenças de um lado, porém, quanta solidariedade de outro. Quanta valorização pelos trabalhos das pessoas da área da saúde e dos serviços essenciais. Eu me emociono muito, choro, ao ver essas cenas. Peço a Deus que o mundo nunca mais seja o mesmo, que essa solidariedade que agora brotou tão forte, firme suas raízes para nunca mais ir embora. Quem sabe teremos um mundo mais igual. As máscaras vieram para nos igualar. Somos realmente todos iguais, todos filhos do mesmo pai.

Em suas orações, o que tem pedido a Deus?
Peço saúde, paz mundial, luzes para resolver os problemas de saúde, econômicos, sociais que estamos enfrentando e enfrentaremos ainda por um bom tempo. Sabedoria para todos os governantes.

“Tenhamos fé, força, coragem e sempre que puder, oremos por nossos filhos. Mães de joelho, filhos em pé”

Como tem sido os seus dias de quarentena, a senhora que sempre foi muito ativa?
Por incrível que pareça meu dia precisaria de mais horas. Levanto-me cedo para aproveitar bem o tempo. Meu marido e eu seguimos uma rotina, tomamos café, fazemos nossa oração diária, lendo o Evangelho do dia, oramos por toda a família, pelos amigos e por quem nos pede oração. Cuido dos afazeres da casa. Gasto algum tempo no celular olhando as notícias, tentando ajudar pessoas que usam as redes sociais para disseminar fakes, ódio, pânico. Sou muito detetive nisso, gosto de justiça e fico muito brava com a fakes. Resolvo muitas coisas dos grupos de pastorais a que pertenço, através do ‘zap’. Adoro escrever e me arrisco todo dia nessa arte. Faço meus artesanatos, principalmente reaproveitando material reciclado. Telefono cada dia para um idoso da Pastoral a que pertenço.

Do que sente falta?
Sinto falta de visitar as pessoas, de receber visitas na minha casa, de abraçar meus familiares e amigos. Quando tudo passar digo que vamos ter muitas costelas quebradas! Sinto falta da hidroginástica, dos grupos que participo, das reuniões e especialmente das celebrações na comunidade.

Deixe uma mensagem para as mães fernandopolenses?
Sei que este Dia das Mães está sendo diferente para todas nós. Há mães chorando a perda dos filhos, outras preocupadas ou porque tem filhos doentes ou porque perderam seus empregos, mas lembrem-se sempre que após a tempestade vem a bonança. Tenhamos fé, força, coragem e sempre que puder, oremos por nossos filhos, não importa sua crença ou seu jeito de orar. Mães de joelhos, filhos em pé. Meu abraço carinhoso a todas as mamães.