Polícia

Tráfico de influência levou Gimenes à cadeia, afirma delegado 



Tráfico de influência levou Gimenes à cadeia, afirma delegado 

O delegado Ailton Canato, responsável pela operação “Higia”, que cumpriu ontem, 17, 14 mandados de prisão e 31 de busca e apreensão, mais uma vez não concedeu entrevista coletiva, como prometido, mas em declaração exclusiva ao jornal Diário da Região, de Rio Preto, ele deu detalhes sobre o envolvimento dos suspeitos. Todos são investigados pelos crimes de desvio de dinheiro, superfaturamento de verbas públicas e tráfico de influência. 
De acordo com a reportagem assinada pelo jornalista rio-pretense Marco Antonio dos Santos, com a colaboração de Rodrigo Lima e Vinícius Marques, Canato afirma que Gimenes é suspeito de intermediar os interesses do bando junto à Secretaria Estadual de Saúde.
 "Esse grupo de suspeitos fazia fraudes, inclusive em licitações para desviar verbas públicas. Inclusive montavam empresas em nome de laranjas para disputar as concorrências. Pelo que apuramos até o momento, o ex-deputado recebia uma quantia da OS Andradina para ser o articulador político junto à Secretaria de Estado de Saúde", afirmou o delegado ao Diário da Região. 
Ainda de acordo com o texto, a OS assumiu a gestão da Santa Casa, mas teria interesse mesmo nas verbas movimentadas pelo Centro de Reabilitação Lucy Montoro e pelo AME de Fernandópolis.
Todos os presos, com exceção de uma mulher que foi para a cadeia feminina de Nhandeara, foram enviados para cadeia de Guarani d'Oeste e vão começar a ser ouvidos pelo delegado a partir desta terça-feira, 18. Eles tiveram os bens bloqueados pela Justiça.
“Após os cinco dias, poderemos pedir à Justiça a conversão de prisão temporária para prisão preventiva”, explica o delegado.

ELEIÇÕES 

ELEIÇÕES 

Gimenes ficou como suplente na eleição para deputado estadual em 2014. Ele recebeu 63.884 votos. Em função de resultados das eleições de 2016, ele tomou posse em 1º de janeiro de 2017. O tucano deixou a Assembleia Legislativa em fevereiro do ano passado. Em 2019, ele mudou domicílio eleitoral de São Paulo para Fernandópolis e é apontado como pré-candidato a prefeito pelo PSDB na eleição de outubro.
O comando do partido adotou cautela ao tratar do assunto nesta segunda, 17. "O Diretório Estadual do PSDB-SP tomou conhecimento pela imprensa da prisão do ex-deputado Gilmar Gimenes e avaliará o caso com o cuidado necessário", afirmou o presidente estadual do PSDB, Marco Vinholi, secretário de Desenvolvimento Regional no governo de João Doria. Ele afirmou ainda que o "PSDB não definiu ainda o nome que representará o partido nas eleições de outubro e deverá apresentar em março essa definição".
Anunciado como coordenador das campanhas do PSDB no Estado, o também ex-deputado José Carlos Vaz de Lima disse tratar-se de uma "questão partidária" o futuro político de Gilmar Gimenes e evitou mais comentários.

O líder do governo na Assembleia Legislativa, deputado estadual Carlão Pignatari, disse que "não tem nenhuma informação" sobre a prisão de Gimenes.

OUTRO LADO

OUTRO LADO

O advogado Ricardo Franco de Almeida, que representa o ex-deputado estadual Gilmar Gimenes (PSDB), disse, ao deixar a delegacia, que não há justificativas plausíveis para a decretação da prisão preventiva de seu cliente.
"Está tudo relacionado a apuração na Santa Casa, agora o que não se justifica é uma prisão temporária baseada em 'indícios'. Se fosse em São Paulo ou uma cidade grande, tudo bem, para facilitar as investigações, agora aqui era só chamar ele e os demais acusados para depor", disse o advogado.