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“Vamos corrigir o que tiver que corrigir e avançar”, diz novo reitor



“Vamos corrigir o  que tiver que corrigir e avançar”, diz novo reitor

Desde que assumiu como reitor na Universidade Brasil há cerca de três meses, em meio aos efeitos da Operação Vagatomia da Polícia Federal e a pandemia do coronavírus, Felipe Sartori Sigollo, realizou a primeira visita ao campus da universidade em Fernandópolis, onde está instalado o curso de Medicina. Foi no último final de semana, um dia depois do MEC publicar portaria que suspendeu as apurações sobre o suposto ingresso de alunos em número superior ao permitido no curso  de Medicina, ficando liberada a entrada de novos estudantes por meio de vestibular, bem como a transferência de aluno. 
Em entrevista à Rádio Difusora e jornal CIDADÃO, o novo reitor destacou ter ficado impressionado com a estrutura em Fernandópolis.

“É o nosso principal campus, com uma comunidade acadêmica atuante, com cerca de 6 mil alunos. Tivemos a oportunidade de nos reunir com os coordenadores, abrindo diálogo para um novo tempo”, disse.

Ele também visitou as instalações do Hospital Escola Santa Casa e se reuniu com o provedor Marcus Chaer. Sigollo assumiu a  reitoria da Universidade em meio a pandemia e após as operações da Polícia Federal que resultaram no afastamento da gestão anterior.

“A palavra é confiança. Vamos corrigir o que tiver corrigir e avançar”, disse o reitor.

Leia os principais trechos da entrevista: 

O senhor esteve em Fernandópolis na primeira visita desde que assumiu a reitoria da Universidade. Como foi?
Viemos conhecer o campus da universidade em Fernandópolis, acompanhado dos nossos pró-reitores João Cury e Marco Antonio Zonta. Fiquei muito bem impressionado com as instalações, com os cuidados com os laboratórios, com as instalações físicas. Vamos continuar investindo bastante no campus de Fernandópolis, onde temos quase 6 mil alunos, uma comunidade acadêmica forte, atuante. Tivemos uma conversa com os coordenadores dos cursos de Medicina, Odontologia, Veterinária, Direito, Engenharia, enfim, todos os cursos. Foi muito proveitoso. Também viemos anunciar a abertura de novos vestibulares para o segundo semestre 2020, que já está publicado no site e vamos ter o ingresso de novos alunos, inclusive na Medicina. Minha missão é colocar a universidade novamente para crescer, continuar contribuindo com a cidade nas áreas econômica, social, educacional e saúde. Também fizemos uma visita à Santa Casa que é o Hospital-Escola, conversamos com o provedor Marcus Chaer, com alunos que estão fazendo o internato e pude ver as melhorias que estão sendo feitas. Temos uma parceria importante com a Santa Casa, onde temos cerca de 200 alunos fazendo internato. Estamos unidos com as lideranças, com a comunidade, para avançar. 

"Vamos continuar investindo em Fernandópolis, onde temos quase 6 mil alunos, uma comunidade acadêmica forte e atuante"

O senhor assumiu a reitoria da Universidade logo depois da publicação da decisão do MEC, suspendendo o curso de Medicina em Fernandópolis. Como avalia o impacto dessa medida na comunidade acadêmica?
Eu lamentei muito. Quando cheguei, essa decisão já tinha sido publicada pelo Ministério. Achei exagerada. A gente recorreu pelas vias administrativa e judicial e tivemos sucesso, mostrando que o MEC errou. A medida foi muito dura e não deu direito a defesa. Na quinta-feira, 25, foi publicado no Diário Oficial da União, portaria que dá cumprimento à decisão judicial favorável à Universidade Brasil que mantém aulas, vestibular, transferências e suspende apuração no curso de Medicina, ficando também liberada a entrada de novos estudantes.Vamos ter vestibular agora em julho ou agosto para a Medicina, trazendo novos estudantes, fortalecendo o curso. Todas as questões estão sendo esclarecidas, corrigidas. O diálogo com Ministério da Educação é permanente. Temos também conversado com o Ministério Público Federal, com a Polícia Federal, colaborando com todos os órgãos. Vamos corrigir o que tiver que corrigir e avançar. Apesar do momento sensível por conta da pandemia, delicado para a economia, a gente vai sair mais forte, vamos continuar crescendo e ajudando muito a região. 
Essa portaria do MEC, que o senhor se referiu, restabelece a autonomia da universidade?
Restabelece na questão do curso de Medicina, onde já superamos todas as questões. Agora tem uma última portaria que é em relação a autonomia universitária e o ensino a distância. Estamos tratando dessas questões e nos próximos dias isto também deve estar resolvido.
O senhor chegou na Universidade com quais objetivos?
Quando assumi já estávamos no meio da pandemia. A principal mudança que conseguimos fazer foi colocar uma equipe eminentemente técnica, capacitada. Trouxemos os melhores profissionais de outras instituições de ensino, como o professor Marco Antonio Zonta, nosso pró-Reitor da pós-graduação, o professor Victor Mirshawha Junior, pró-Reitor de Graduação e João Cury Neto, que foi secretário Estadual da Educação e assumiu como pró-Reitor de Relações Institucionais. Temos três delegados da Polícia Federal aposentados trabalhando conosco na área de compliance. Estamos procurando profissionalizar a gestão ao máximo para efetivar as mudanças necessárias. Temos aqui em Fernandópolis o nosso principal campus, é o maior, mas temos também campus importante em Itaquera (capital) que é a sede e em Descalvado. Estamos fortalecendo o diálogo com alunos, professores, comunidade acadêmica, lideranças locais, buscamos o contato com o deputado Fausto Pinato e com o secretário Executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia Júlio Semeghini. 

"Não tem mais pré-matriculado, ou está matriculado ou não está. Se não está matriculado, não pode estar na sala de aula"

Como avalia a parceria com o Hospital-Escola Santa Casa de Fernandópolis?
O campo de estágio na Santa Casa de Fernandópolis é fundamental para nossos alunos. Queremos fortalecer o entrosamento, melhorar a infraestrutura para os alunos e para a população. O conceito do curso de Medicina da Universidade Brasil é nota 4 (de cinco) no MEC, o que mostra que é um curso bem avaliado. Tenho certeza que no recredenciamento daqui a dois anos vamos conseguir a nota máxima no MEC. A parceria com a Santa Casa é absolutamente estratégica, fundamental, e vamos discutir como melhorar isso. Estou muito satisfeito com o que vi nesta visita ao hospital.
Desde que a Polícia Federal chegou à Universidade Brasil em setembro de 2019, isso afetou muito a credibilidade da universidade. Qual o trabalho para resgatar essa credibilidade perante os estudantes?
Uma das principais ações é ter profissionais isentos, capazes, com grande experiência, e abrir canal de comunicação com o aluno, mostrar a ele as correções que estão sendo feitas, o que está sendo corrigido, com ética e transparência. O Joao Cury (pró-Reitor de Relações Institucionais) tem ajudado muito nessa relação, não só com os órgãos de controle, mas com os alunos, trabalhando com muita seriedade. Temos feito reuniões pela plataforma da Universidade (Microsoft Teams) com grupos de 80, 100 alunos. Está sendo muito proveitoso, porque, embora seja reunião virtual, a gente ouve e consegue ter um retorno das demandas. Criamos uma central de relacionamento com o aluno para melhorar essa comunicação. É um trabalho permanente.
Sobre a polêmica de excesso de alunos no curso de medicina. O que está sendo feito?
Isso é importante. Estamos tendo um rigor absoluto, primeiro na análise de todos os alunos da Medicina, análise de prontuário, um por um. Temos uma sala especial com todos esses prontuários e fiquei bem impressionado com o empenho e a vontade dos nossos servidores em fazer esse trabalho que é minucioso. Estamos lançando o manual do aluno, com direitos e deveres, como ele deve fazer cada procedimento. Tinha uma certa informalidade que a gente vai acabar. No MEC, eu liderei as universidades federais, conheci muitos reitores, e tenho procurado trazer as melhores práticas para a Universidade Brasil. Vamos exigir muito o formalismo, o rigor, para o estudante ter segurança na parte acadêmica. Não tem mais pré-matriculado, ou está matriculado ou não está. Se não está matriculado, não pode estar na sala de aula. Os que têm dificuldade financeira, temos procurado ver alternativas para equacionar. Queremos passar uma mensagem de confiança, de segurança. O momento é de seriedade e trabalho e vamos colocar todas as coisas em ordem, no lugar.
Pessoal envolvido na Operação Vagatomia da Polícia Federal está afastado da universidade?
Sim. São novos dirigentes, novas lideranças. O processo continua, mas no âmbito criminal. Temos focado na administração. Temos autonomia para tocar a gestão. Aqui contamos na direção do campus com a Dra. Silvana Ximenes Mininel, o professor Roberto Racanicchi, com quem temos reuniões frequentes. Estou muito feliz com essa equipe e muito esperançoso com esse novo momento.

"O desafio é grande, mas estamos motivados e empenhados em ouvir mais, para errar menos"

 Assumir a reitoria da Universidade é o maior desafio de sua larga experiência na educação?
Já fui secretário estadual da Assistência Social, subprefeito da capital, fui assessor do governador, estive por três anos no MEC como secretário executivo, período que também não foi fácil, teve o impeachment, transição para o novo governo.  Mas, posso dizer que esse é o maior desafio da minha carreira. Assumi em meio a pandemia, com os funcionários em home-office, alunos com aulas online, e a gente tentando identificar as prioridades. A nossa missão é mostrar o que está sendo feito com transparência, formalismo, com muito diálogo, e apostando em gestão acadêmica documental mais aprimorada. Esses controles são importantes para não termos mais surpresas. Muito focado no que a legislação permite, no regulatório, sempre olhando no que pode e o que não pode, mas, sobretudo, tendo um olhar mais apurado para os alunos, professores e funcionários. A separação do grupo Uniesp, também é significativo e dá mais segurança e direção, porque são propósitos diferentes. E queremos trazer novamente a Universidade Brasil de volta na discussão do ensino superior no Brasil. Já participei de reuniões da Associação Nacional das Universidades Privadas e do Conselho de Reitores do Brasil. Estamos voltados para os fóruns nacionais mas, com dialogo também com outras instituições de ensino da região. Não estamos isolados e precisamos trocar experiências com as melhores práticas. 
Qual a mensagem que o senhor deixa aos fernandopolenses?
A palavra é confiança. Podem confiar. Estamos fazendo um trabalho sério, já conseguindo entregar resultados a que nos propomos. Os alunos, as alunas, as famílias, podem confiar, estamos implementando as mudanças necessárias. Os ajustes e correções estão sendo feitas. O desafio é grande, mas estamos motivados e empenhados em ouvir mais, para errar menos. O momento é difícil para todos, mas vamos superar com muito diálogo e unidade. Em breve anunciaremos mais novidades.