BASTIDORES

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O TEMA...
Santa Casa de Fernandópolis tem sido recorrente neste espaço nos últimos anos. A razão é simples: é o principal hospital da cidade e se fechar as portas, onde os fernandopolenses e outras centenas de milhares das pessoas da região irão se socorrer quando a dor bater à porta? 
A PERGUNTA...
é assustadora, mas parece não mexer com os brios das lideranças da cidade. O que se vê é todos fazendo “cara de paisagem” como se o problema fosse só da Santa Casa, definida como associação civil privada, sem fins lucrativos, uma Organização Social de Saúde (OSS). Parece, no entanto, ter perdido sua referência existencial. 
FEVEREIRO...
é um mês histórico para a Santa Casa. Foi no dia 1º de fevereiro de 1948 que 110 ilustres cidadãos se reuniram e decidiram fundar a Santa Casa de Misericórdia. Nove anos depois, em 28 de fevereiro de 1956 a Santa Casa foi inaugurada e, ao longo do tempo, virou referência como hospital filantrópico para Fernandópolis e região.
PASSADOS...
75 anos de fundação (jubileu de diamante) e 67 anos da inauguração a ser completado na próxima terça-feira, dia 28 de fevereiro, o que restou do ideal daquela centena de cidadãos? De solução para o atendimento de saúde, o hospital virou um doente crônico, cuja existência está por um fio. Um problemão para a cidade.
O HOSPITAL...
nunca teve vida fácil, como fácil não é a vida de nenhum hospital filantrópico pelo Brasil. Mas, a Santa Casa foi ferida de morte por sucessivas gestões temerárias e virou até caso de Polícia em 2020 quando foi entregue a gestão externa, a OSS Andradina. A Polícia bateu à porta com a Operação Hígia expondo mazelas que deu causa a intervenção judicial. 
DESDE...
então, a irmandade da Santa Casa esfarelou. A intervenção judicial deu sobrevida ao paciente, insuficiente, porém, para estabilidade de gestão e solução de uma dívida que é superior a R$ 50 milhões e com credores fazendo fila na Justiça com bloqueios judiciais que atingem o coração do hospital.  
ENTRE...
espasmos de melhoras e piora, a Santa Casa está, de novo, no olho do furacão, a ponto do provedor Marcus Chaer vir a público para expor que o risco daqui a algumas semanas é de faltar recursos para comprar alimentos, medicamentos e pagar colaboradores. Isso num quadro que já acumula atrasos nos pagamentos dos médicos. 
O PONTO...
de inflexão está colocado: mudar de rota ou fechar as portas. Para as “forças vivas” de Fernandópolis ficam algumas perguntas: Será este fevereiro de 2023, o último aniversário da Santa Casa de portas abertas? Onde está o espirito humanitário que em 1948 moveu uma centena de homens para fundar esse hospital? Por enquanto, não há respostas...

Equipe A.C.G